sábado, 6 de junho de 2009

Iggy Pop em Persépolis


A iraniana Marjane Satrapi, autora da graphic novel e filme "Persépolis", assina todas as ilustrações e projeto gráfico do no novo CD "Préliminaires" do cantor de punk rock Iggy Pop. Segundo consta, o convite partiu do próprio Iggy e foi uma espécie de troca de gentilezas, já que o cantor fez a voz do personagem do tio Anoush, na versão em inglês da animação.

Visite o site oficial do cd: http://blog.iggypoppreliminaires.com/

domingo, 17 de maio de 2009

Kindle DX e o Futuro das Publicações Impressas


Foi anunciado na semana passada por Jeff Bezos, dono da Amazon, o lançamento do novo modelo de seu leitor digital de livros, o Kindle DX. Com formato maior e capacidade para até 3.500 livros, periódicos e documentos, o brinquedinho chegará com a missão de aliviar a crise de circulação que sofre os jornais impressos do mundo todo. Nesse sentido, jornais importantes como o New York Times e Washington Post confirmaram parcerias com Bezos para a venda assinaturas casadas de seus jornais com o novo e-reader, com preços otimizados.

Já a algum tempo vem se discutindo o futuro dos jornais impressos por conta da leitura de noticias diretamente pela internet, em tempo real e sem nenhum custo, o que já acarretou o fechamento de jornais clássicos nos EUA, queda na receita publicitária e demissão de muitos profissionais das redações.

No Brasil, pesquisa feita pela Ketchum, em parceria com centros acadêmicos respeitados mostrou que 53% dos internautas brasileiros consideram a internet “a fonte de informação buscada em primeiro lugar”, com TV vindo em seguida com 30% e jornal 6%.

O que tenho percebido na imprensa é que há um a preocupação geral por parte de editoras, livrarias, escritores e gráficas em como isso afetará seus respectivos modelos de negócio. Li sobre discussões de “como você avaliaria um leitor pela capa do livro que está lendo, sendo que com o Kindle não se percebe a capa do livro?” Seria o início de um mundo com menos consumo papel? Sem a necessidade de se armazenar enormes quantidades de livros em casa e nas bibliotecas públicas?

Indo um pouco além dos jornais, já imaginou sua revista preferida carregada automaticamente no seu Kindle? A nova HQ de Alan Moore? Toda a obra de Stephen King ou a coleção completa de Monteiro Lobato sendo levada pra qualquer lugar, a qualquer momento sem nenhum incômodo?

O Kindle DX começará a ser vendido no verão americano, apenas nos EUA. Considerando sua utilidade um pouco elitizada (a leitura de livros) é um pouco caro (U$ 489 dólares). Ainda não apresenta páginas coloridas, porém, além da portabilidade e o preço mais econômicos dos títulos/publicações, promete oferecer uma experiência muito próxima da leitura convencional e física.

Imagino que, assim como já ocorreu com a indústria da música, uma revolução significativa está chegando às publicações impressas.

Mais informações em: www.amazon.com

segunda-feira, 27 de abril de 2009

OSGEMEOS: Anárquicos e Autodidatas

Nascidos no Cambuci, em São Paulo, os irmãos Gustavo e Otavio Lindolfo, mais conhecidos como OSGEMEOS, ganharam o mundo. Após começarem a carreira desenhando em muros no bairro onde se criaram, a dupla – que se recusa até a dar entrevistas separados, tal o grau união fraterna e visceralidade artística que os une – expôs pela primeira vez fora do País em 2005, na DEITCH PROJECT, galeria especializada em street art. De lá para cá, a vida destes irmãos, que já tiveram que trabalhar como contínuos no Bradesco para ajudar no sustento da família, transformou-se completamente. Preparam exposições este ano na Itália, Polônia e Estados Unidos.

Confira abaixo, principais trechos de ótima entrevista do jornalista Márcio Rodrigo publicada na Gazeta Mercantil e saiba mais sobre os "meninos".

Ambos são autodidatas. Como descobriram o prazer da arte?
Bom, nós sempre desenhamos, brincávamos de desenhar, desenhávamos em um mesmo papel, não dividíamos espaços e nem materiais, não tinha essa de "este lápis é meu e aquele é seu". Quando não tínhamos papel, riscávamos tudo, embalagens, roupas, paredes, mesas... Era uma época difícil, não tínhamos muito acesso a "canetinhas" boas, ou uma tinta de qualidade, íamos improvisando com tudo que se podia usar, como os esmaltes da nossa querida irmã, giz, carvão... até Cotonete nós já usamos como pincel. Enfim, nós tivemos uma infância muito produtiva, e muito criativa também, graças a nossos pais Margarida Kanciukaitis e Walter Pandolfo. Como fonte de inspiração tínhamos nosso irmão mais velho o Arnaldo P, que nos apoiava, era parceiro em muito destas peripécias, e também nos ensinava muito sobre desenho. Arnaldo é um grande artista, sempre muito criativo e inovando, ajudou muito a despertar este lado criativo nosso. Não precisávamos ter um brinquedo novo, fazíamos nossos brinquedos.


São Paulo é uma cidade muito acizentada. No entanto, os trabalhos de vocês transbordam cores para todos os lados. De onde vem esta verdadeira obsessão pela cor? Aliás, em alguns casos as cores dos trabalhos de vocês lembram ora as cores de Tarsila do Amaral, ora as cores de Matisse...

Uau! Tarsila e Matisse... nossa como faz falta hoje em dia uma Semana de 22!!!! Nomes de peso, imagina a carga de responsabilidades de levar cores para as mentes cinzas no início do século passado? imagina quebrar barreiras e preconceitos? Será que isso mudou? Ou será que aquela época a vida era mais colorida? Engraçado o conflito entre o branco e o preto. Não deveria haver este conflito... mas entendemos tal acontecimento. O cinza é o sangue derramado do conflito entre o branco e o negro. As pessoas precisam das cores. Com toda esta tecnologia de hoje, você assistiria a uma TV em branco-e-preto? As paredes cinzas limitam. Te condicionam à rotina diária. Você não respira. O cinza apagou e enterrou muita história. Em diversas culturas, o cinza é associado à tristeza e a temas fúnebres (à cinza que o fogo consumiu), a um link com a tristeza da cor, muito provavelmente tem início na infância quando aglomerações de nuvens em épocas de chuvas costumam assustar a maioria das crianças, limitando-as de sair de suas casas e brincar. Você já imaginou decorar o quarto do seu filho todo de cinza? O cinza é símbolo da penitência do homem. Cores! Como esta palavra nos da uma sensação de alivio, de respiro, de conforto. Existe uma identificação aí, cada indivíduo prefere uma cor diferente, "hoje eu quero colocar uma camisa azul"! e seus olhos "azuis" ressaltam... você é visto, você é lembrado. O mais engraçado é que nós nunca estudamos as cores, sempre desenhávamos nos papéis, mas nunca pintávamos os desenhos, era sempre na hora de passar para parede que aí pintávamos e isso seguiu até hoje. Gostamos de ter todas as cores no chão e na hora de pintar ir colocando sem regras. É a necessidade de recriar ou de representar ou transformar, por meio de uma linguagem artística.

Neste verdadeiro emaranhado de cores, por que todas as pessoas de suas telas são amarelas?

Porque nascemos em uma época cor de laranja.

Cor de laranja? Como assim!?

Nascemos em uma época alaranjada, onde o sol iluminava a sala com sua cor laranja, as roupas ficavam com as cores mais fortes, ressaltavam seus tons, as fezes até chegavam a modificar de tanto pigmento... Foi daí que veio o amarelo e vermelho escuro que usamos nos personagens.

Vocês podem pintar nos muros da metrópole, nas paredes de uma galeria ou de um castelo europeu ou em placas de madeira apoiadas em um Fusca. Como o suporte influencia no processo criativo?

Pensamos que funciona como a construção de um livro e todos os seus processos. Cada suporte tem suas adaptações, mas a essência do trabalho esta ali no papel amassado no bolso ou no guardanapo do bar que desenhamos e depois limpamos a boca com ele. É incrível saber que somos seres livres, e com a permissão de Deus podemos desfrutar de vários suportes diferentes. Que bom que nosso trabalho nos permite isso: conhecer, desvendar, arriscar, viajar nestas veias e "rios". É como abrir uma janela que pintamos e ter o privilégio de enxergar lá bem longe um carro com uma cabeça em cima, conversando com você. Aí você entra dentro dele e ele te leva para lugares que você sempre acreditou que existissem... Existe um mundo aí fora, criado pelos "homens", homens do bem e do mal, nós só recriamos ou modificamos o que foi feito. Cremos que, as vezes, é pelo simples fato de não estar contente ou de acordo com o que está sendo feito. Daí surgem os suportes, e ideias de como utilizá-los . Às vezes, temos uma ideia e quando executamos mudamos umas duas ou três vezes. Quando isso acontece é um ótimo sinal, é sinal que as ideias estão em "alta!" conflitando! Está havendo um acúmulo de informações e ideias distintas, que surgem super-rápidas. Você tem que concretizar todos estes "elementos" rápido, antes que outros apareçam e tomem o lugar dos pensamentos que vieram primeiro, ou das "criações" que foram lentas e ficaram para trás. Existem vários processos de criação: lentos e os rápidos. Nós adoramos os dois! Principalmente os rápidos!

Por que a opção de criar tantos trabalhos voltados para as questões ditas sociais num momento em que a arte contemporânea transborda temas mais ligados ao caráter das vivências individuais de cada artista?

Nós não fazemos arte contemporânea... talvez arte atemporal?!... Como ficar quieto perante este mundo que vivemos? Como fazer "arte" e não questionar? Qual a necessidade de não querer questionar, chocar ou transformar? Fazer as pessoas pensarem, refletirem talvez? Não sabemos. A inquietude !!!! A arte do "inconsciente"! Esta coisa de que a arte depende de uma interpretação, às vezes nos fascina, e às vezes achamos tão " bobo!". Poder armazenar algumas ideias no inconsciente também não é nada mal. Sentimos a necessidade de nos expressar por meio da arte, seja ela qual for... graffiti, instalações, esculturas são só "ferramentas" que utilizamos. Nós também temos um lado individual, super- presente em nosso trabalho, mas acho que o resultado de nossa obra desperta um lado escondido nas pessoas, um lado que elas deixaram guardadas em uma "gaveta" e perderam a chave... e muita das vezes esqueceram que isso ainda está, mesmo sem chave. O lúdico e o mágico resgatam esta esperança de alívio, de pausa nos pensamentos.

No ano passado, o caso da pichação na Bienal de São Paulo gerou muita polêmica na mídia e nos meios artísticos, suscitando debates acalorados sobre o grafite e as pichações nos muros da cidade. O que vocês pensam desta questão?

Um espaço inteiro vazio no prédio da Bienal? E milhares de artistas lutando por um... até que ponto a arte está no meio do povo? De que maneira o povo participa dela? O que podemos dizer é que a Bienal foi a pior que já vimos. Com tanto artista bom no Brasil, você ter um espaço em branco!? Isso não deve existir. É realmente uma vergonha para a cena da arte e para a cultura do País. Não se deve permitir coisas deste tipo nunca mais.

Nos últimos anos, o graffiti tem tomado conta das ruas das grandes metrópoles como São Paulo, Tóquio e Nova York. O graffiti é, neste momento, o melhor suporte para se transpor os limites dos museus e das galerias concretizando assim o desejo de muitos artistas e curadores de ter uma arte realmente pública?

O graffiti sempre teve esta força e tomou conta dos metrôs, trens, ruas, prédios, muros, etc. Há mais de 20 anos, no "jogo" do chamado graffiti, não existe limites. Para muitos o limite chega até ser a própria vida. Para nós, o graffiti nunca vai estar dentro de um museu ou galeria. O graffiti é de fato uma arte totalmente pública sem ninguém te falar como, onde e por que deve ser feito. Existe toda uma atmosfera que você só consegue senti-la, se você faz parte deste jogo. E isso você só encontra quando está de fato na rua, no meio urbano, e que o conjunto disso tudo se pode chamar de graffiti. Há anos, galeristas do mundo todo têm convidado artistas que vêm deste universo para expor em museus, galerias etc. Tentar levar esse ato público para dentro de instituições, só se você invadir determinado espaço e pintar sem autorização, ou representá-lo por exemplo por foto. Mais a sensação de estar lá pintando, vivendo aquilo, acho que só quem faz sente.

Vocês foram primeiramente reconhecidos no exterior para enfim serem aceitos pelo mercado de arte brasileiro. A que atribuem este fato?

Talvez pelo fato do mercado internacional de arte que gira em torno do universo de graffiti, já existir há mais de 20 anos, e aqui no Brasil isso é ainda muito novo. O fato é simples: "Tudo que fizemos para chegar até aqui e estamos fazendo, fazemos com muito amor, respeito, verdade e principalmente deixamos para que Deus guie nosso caminho.

Gazeta Mercantil/Fim de Semana: em 24/04/2009.
www.gazetamercantil.com.br

domingo, 12 de abril de 2009

Bea Feitler: Designer Brasileira foi Influente na América


No início deste ano adquiri uma edição da revista Print datada de 1987 e dedicada ao Design Brasileiro. O designer carioca Felipe Taborda foi o editor convidado da clássica publicação americana incumbido de coletar material para rechear o “tributo” aos brasileiros. Marcaram presença “medalhões” como Ana Luisa Scorel, Francesc Petit, Guto Lacaz, Miran, Rico Lins, Strunck, Rafic Farah, entre muitos outros que estão por aí até hoje). Há muito material gráfico e de publicidade da época (capas de LPs, anúncios, embalagens, cartazes de teatro e filmes, páginas de jornais e revistas etc). Porém, de todo conteúdo, um artigo que me chamou mais atenção referia-se a uma designer brasileira chamada Bea Feitler. O texto, escrito pelo próprio Taborda destacava a importância de da brasileira (falecida prematuramente de câncer em 1982) em importantes publicações como a Harpers Bazaar e Rolling Stone, além da histórica revista Senhor no Brasil.

Semana passada, assistindo um documentário sobre a trajetória da fotógrafa americana Annie Leibovitz (A Vida através das Lentes), eis que surge novamente a figura “até então desconhecida” de Bea Feitler.

Aos 40 minutos do filme, Leibovitz ressalta a influência que Bea teve sobre seu trabalho na Rolling Stone e como aprendeu a conceituar melhor suas imagens com a ajuda de seus conselhos.

A importância que Leibovitz dá a nossa brasileira (eu só sei que é brasileira por conta da Print “brazuca”, no filme não há essa informação) é enorme e acabou me deixando curioso a respeito do histórico da designer.

Vasculhando a vida da moça, descobri que Bea Feitler saiu do Rio e foi para NY estudar design na Parsons Schools e formou-se em 1959. Seu interesse inicial por ilustração rendeu-lhe um crescente fascínio pela área. Tornou-se aos 25 anos co-diretora de arte de uma das mais importantes revistas de moda americana, a Harper's Bazaar. Teve projetos de livros premiados, reformulou o formato da Rolling Stone e trabalhou no revival de um clássico dos anos 30, a revista Vanity Fair.

Segundo Felipe Taborda na Print, no período em que viveu no Rio de Janeiro após a graduação, iniciou um escritorio de design chamado Estúdio G, com dois outros artistas, especializando-se em design de cartazes, livros e capas de disco. Colaborou no projeto da revista Senhor, marca registrada do design brasileiro, sendo a única revista brasileira de cunho político e cultural concebida com conceitos de design. Num período de experimentação, Bea trouxe novas idéias ao layout da revista. Seu trabalho atravessou fronteiras, criou padrões e conceitos visuais que são influentes até hoje”.


Herdou os conceitos editoriais do designer Alexey Brodovitch e dizia que "Uma revista deve fluir. Deve ter ritmo. Você não pode olhar para uma página só, você tem que visualizar o que vem antes e depois. O bom design editorial é sobre ‘como criar um fluxo harmônico’ ".

Tintas fluorescents, fotografia com ilustração, tipografia expressionista e desinibida foram algumas das características de seu trabalho.

Tinha bom senso e intuição sobre as pessoas: após ganhar confiança, permitia que seus assistentes tivessem suas próprias abordagens, ajudando-os a reconhecer as suas potencialidades. Muitos jovens designers que trabalharam com ela tornaram-se grandes diretores de arte por mérito próprio.

De personalidade encantadora, mas também muito exigente, seus padrões de excelência na concepção dos projetos eram inegociáveis.

Mesmo enquanto diretora de arte de grandes revistas, trabalhou em uma variedade de projetos como capa de disco para os Rolling Stones, campanhas para Christian Dior e Calvin Klein, livros para Beatles, Cole Porter, Vogue e o fotógrafo Helmut Newton.

De 1974 até 1980, foi professora da School of Visual Arts, onde os estudantes batalhavam para estar em sua classe. Incentivava cada aluno a seguir sua própria direção. Consta como seu aluno, o artista Keith Haring, que era criticado por ter trabalhos inspirados no graffiti. Bea se entusiasmou com seu vigor e potencial, encorajando-o a continuar a desenvolver neste caminho.

Seu último projeto foi a volta da revista Vanity Fair porém não viveu para vê-la publicada.

Não me lembro do nome de Bea Feitler em nenhuma publicação ou aula sobre história do design nos últimos anos aqui no Brasil. Há um belo texto sobre a moça  intitulado “The Vitality of Risk” escrito por Philip Meggs no site da AIGA:

www.aiga.org/content.cfm/medalist-beafeitler

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domingo, 29 de março de 2009

Frank Miller e os Créditos Finais de The Spirit


Contrariando as críticas negativas que The Spirit teve, tanto da imprensa quanto de fãs de quadrinhos, assisti ao filme, muito por consideração ao “histórico” de Frank Miller e acabei gostando do que vi.

Ainda muito jovem, Miller iniciou sua carreira fazendo um dos trabalhos mais marcantes com um personagem de segunda linha da Marvel Comics, o Demolidor (Daredevil). Cresceu como escritor e desenhista de quadrinhos e foi um dos mais ilustres admiradores da obra de Will Eisner. Seu estilo (closes, cortes cinematográficos, uso do claro-escuro, lettering, estrutura narrativa) é assumidamente influenciado pelo seu ídolo.

Além de ter criado a Elektra, a Queda de Murdock, ter resgatado a batmania e a popularidade de Homem-morcego com o Cavaleiro das Trevas e Batman Ano Um, nos últimos anos o autor levou para os quadrinhos as características da Literatura Noir de David Goodis e Mickey Spillane ao criar a série Sin City.

Provavelmente tenha inaugurado uma nova linguagem no cinema ao permitir que Robert Rodriguez idealizasse a ida de Sin City para as telas. Muito desta paisagem negra e escura está presente também em The Spirit, o que possibilitou um constraste e ambientação coerente com o período em que o personagem de Eisner atua e foi criado.

Além das beldades que contracenam com o herói, um dos pontos altos do filme (graficamente falando) encontram-se nos créditos finais: um trabalho tipográfico primoroso e matador que funde os storyboards (feitos pelo próprio Miller) com informações do elenco, equipe e produção (em letras vermelhas e robustas sobre o fundo preto e branco das imagens) ao som de "Falling in Love Again". A canção de 1930, originalmente cantada e popularizada por Marlene Dietrich no filme “O Anjo Azul”, é aqui interpretada, por incrível que pareça, por Christina Aguilera.

Clique abaixo e confira um trecho desta sequência.

video

Ignore as críticas negativas e confira The Spirit. Como citou o especialista em HQs Álvaro de Moya ao Estado de S.Paulo: “O meu amigo Will apreciaria esse tributo”.

That's Entertainment!

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quarta-feira, 25 de março de 2009

De Obey a Obama: a Arte de Shepard Fairey

Nos anos 80, Shepard Fairey, um estudante de ilustração da Rhode Island School of Design ficou conhecido por liderar uma das primeiras campanhas da chamada “guerrilha gráfica ou arte de guerrilha”. Criou uma cultuada figura estilizada conhecida como André, o Gigante (referência ao lutador francês de vale-tudo André René Roussimoff) em adesivos com a palavra “Obey” (obedeça) e que eram colados em toda parte da cidade. Sua intenção foi fazer uma crítica à propaganda e ao consumo desenfreado e isso utilizando tática e estética totalitárias.

“André, o Gigante” inicialmente uma experiência gráfica, transformou-se em um estilo, e tornou-se uma obsessão para Fairey: Todos os finais de semana saia as ruas e colava adesivos, grafitava com sprays e stencils e colava cartazes que traziam mensagens que subvertiam a publicidade tradicional.

Porém, o que começou como uma proposta de anti-publicidade – a figura do Gigante foi um porta-voz silencioso, sem um produto definido - tornou-se o próprio estilo e marca do artista, com direito a uma completa linha de camisetas, bonés e mochilas.

Em 2008 Shepard criou uma série limitada do retrato de Obama para ser comercializada e divulgar a campanha do então candidato a presidência dos EUA. Além do cartaz, a imagem foi estampada em camisetas e adesivos. Inclusive aqui no Brasil, a camiseta foi um hit entre os “descolados”.

Na semana passada mais uma vitoria: numa competição disputada por 90 concorrentes durante o prémio de design britânico Brit Insurance Design Award 2009, o artista americano, hoje um dos nomes mais conhecidos da street art levou prêmio de mais inovador em artes gráficas."O pôster de Obama é uma lembrança do impacto do design em nossas vidas diárias. O cartaz se transformou em um símbolo internacional da história recente", disse Deyan Sudjic, diretor do Museu do Design de Londres.

A vitória de Obama alavancou ainda mais a moral de Fairey. Em uma de suas ultimas mostras individuais, o artista teve todas as suas obras arrematadas, por até 85 mil dólares. Pra quem até pouco tempo vendia cartazes a 80 dólares...

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domingo, 22 de março de 2009

ARTURO VEGA E O LOGO DOS RAMONES


Eu tinha 15 anos quando caiu pela primeira vez em minhas mãos um LP dos Ramones. A fama dos caras já corria solta entre a turma da rua, tudo por conta de suas músicas de dois minutos, três acordes, riffs básicos e letras que tratavam dos sabores, da insegurança e das incertezas da adolescência. Porém, o que me chamou a atenção naquele momento também foi a capa do album: a imagem dos quatro integrantes em alto contraste, estilo xerox (característica da proliferação de fanzines na década de 70), carregada ao extremo sobre o fundo branco e no topo, o clássico logo magenta em caixa alta acrescido do titulo: Rocket to Russia. Este seria o primeiro de uma série de outros discos que graficamente impactariam minha adolescência.

Surgida em 1974, os Ramones se caracterizaram pela simplicidade nos acordes, canções rápidas (no primeiro show no lendário clube CBGB consta que a banda tocou 20 canções em 17 minutos, uma atrás da outra) e acabaram por influenciar a formação de bandas de rock em todo o mundo nos últimos 30 anos. O visual de seus integrantes foi também uma de suas marcas registradas: jaquetas de couro, jeans rasgados, cabelos compridos “a la beatles” e tênis surrado, além de um brasão criado pelo então roadie da banda, Arturo Vega.

Vega era um jovem ator/pintor de Chihuahua, México, que vivia em um loft próximo ao CBGB. Para pagar suas contas, o artista trabalhava como letrista em um supermercado produzindo cartazetes com preços de produtos.

Foi a primeira pessoa trabalhar com a banda: no início carregando e montando equipamentos de som e depois, cuidando das luzes dos shows.

Com o passar do tempo, passou a criar todos os anúncios, cartazes e flyers, bem como materiais para atrair jornalistas e outros tipos de empresários ligados a música. Claro que sem a tecnologia dos softwares e macs que dispomos hoje.

Porém, o mais importante é que Arturo concebeu um produto que, juntamente com as turnês, praticamente mantiveram os Ramones vivos: a venda de camisetas.

A maioria dos desenhos das camisetas eram derivadas de fotografias preto-e-branco de uma águia careca americana. Esta imagem figurava na fivela de um cinto na parte posterior do primeiro álbum (a foto, por sinal, foi cortada a partir de um auto-retrato que Vega havia tirado com um centavo no interior de uma cabine fotográfica).

No livro “Ramones – An American Band” o artista comenta: “Quando cheguei a Washington, me impressionei com a atmosfera dos edifícios oficiais e seus escritórios com bandeiras em flâmula por todos os lugares. Pensei: O Grande Selo dos dos Estados Unidos da América seria perfeito, com a águia segurando as setas - para simbolizar a força e a agressão que possa ser usado contra quem se atreve a atacar-nos - e um ramo de oliveira, oferecido para aqueles que querem ser amigáveis. Mas estamos decididos a mudá-lo um pouco. Em vez do ramo de oliveira, tivemos uma o ramo de macieira, uma vez que os Ramones eram tão americanos como uma torta de maçã. E uma vez que Johnny era fanático por baseball, adaptamos a águia segurando um taco ao invés das flechas."

O deslocamento no bico da águia onde originalmente lia-se "look out below/veja a seguir", mais tarde foi alterado para "Hey, ho! Let's go!" As setas sobre a águia do escudo vêm de um desenho de uma camisa de poliéster que Vega havia comprado na 14th Street, enquanto as letras do nome da banda, por extenso em caixa-alta, foram adesivadas em letraset.

As vendas destas camisetas, não só mantiveram os Ramones por muitos anos, mas também foi o modo como Vega financiava suas viagens com a banda pela Califórnia e Europa e também sua principal fonte de renda.

Arturo Vega trabalhou durante 27 anos com os Ramones. Praticamente tornou-se o quinto membro da banda. É provável que não tenha formação alguma em design ou comunicação. Seu nome não aparece nos grandes tratados e publicações da área. Mesmo assim, sua arte feita há 30 anos, na base de “cola, tesoura e letraset”, continua inspirando e sendo estampada em toda uma geração, seja na moda, no cinema ou em porões sujos nos quatro cantos mundo... Gabba Gabba Hey!

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LET’S DANCE, LET’S ROCK, LET’S TYPE…!

Bem-vindos ao Let’s Type.

O propósito deste blog é compartilhar percepções sobre o universo das artes gráficas e visuais, amarradas a cultura pop: Design, Música, Quadrinhos, Cinema, Moda, Publicidade, Tipografia, Ilustração e afins estarão sempre marcando presença por aqui. O título do blog surgiu como um trocadilho do grito de guerra da banda nova-iorquina Ramones, associado ao desenho de letras e tipos, como forma de expressão e elemento essencial na comunicação visual.